Fiquei pensando se chocava logo os meus leitores com uma das minhas poesias ilícitas. Afinal, os comentários foram tão agradáveis e todo mundo sabe que o Brasil não lê poesia.
Ainda mais, poesia-não bonitinha- não meiga- não alisa saco.
Mas resolvi acreditar no meu público e postar Perdendo a virgindade. Escrevi esse poema em 2004, mas o modifiquei levemente em 2007.
O poema é indicado para leitores putos, desiludidos, ásperos, ressentidos e vítimas de conquistadores manipuladores.
A foto é da Flora Egecia (egecia@gmail.com), assim como a do template do blog.
Perdendo a virgindade
A verdade
É que eu não sou a virgem pura
Que lhe pareço ser.
Este mundo já me fodeu tanto
Que seria uma puta hipocrisia
Dizer o contrário.
Mas foi só agora,
Que percebi todo esse sangue,
Já seco e duro,
Quebrando o lençol.
Tanto vermelho!
Já vinho,
Já negro...
Me faz crer que pereci
De agudas dores.
Mas, na hora,
Eu nem senti.
Acho que foi isso
Que o fez voltar todas as noites:
A minha ignorância.
Sinto muito, meu amor,
Mas eu não sou mais sua inocente prostituta.
Agora,
Eu dou porque quero.
Patrícia Colmenero,
A Medusa impune.